Musa Divinorum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo

Horários das apresentações de Musa Divinorum no Festival Internacional de Curtas de São Paulo.

20/08 (sexta) – 20H00 – Centro Cultural São Paulo
21/08 – (sábado) 21H00 – CineSESC
22/08 – (domingo) 17H00 – Cinemateca – Sala BNDES
26/08 – (quinta) 20H00 – Cineclube Grajaú

** Ainda rola uma apresentação extra apenas de animações na quarta-feira, dia 25, às 20h na Sala Patrobrás na Cinemateca. Nesse dia, debate com animadores brasileiros e estrangeiros. Entre os filmes, o novo de César Cabral, que parece ótimo.

Revista Bref!

Extremamente curioso.

A Revista francesa Bref, voltada ao cinema de curta-metragem, fez uma crítica sobre Zigurate na sua última edição. De uma maneira geral a crítica é bastante elogiosa e consegue desconstruir o filme com tanta facilidade que comecei a pensar se ele não é muito óbvio, no fim das contas.

O texto esmiúça muitas das motivações do filme, referências, atuações marcadas, opções de cor. Pela primeira vez alguém menciona King Kong. Metropolis alguns já tinham sacado.

Fiquei contentíssimo de ler, ainda mais depois de ter lido textos onde o crítico claramente não entendeu o filme e precisou recorrer à paráfrase da minha própria sinopse para engordar as duas linhas que ele conseguiu escrever.

Traduzi o texto que deve estar bastante inexato, especialmente no último parágrafo, um tanto empolado. Sim, o último parágrafo soa um pouco ofensivo, ao meu ver contrastando com o tom positivo do restante. Mas acho que é isso mesmo.

A Bref escolheu pouquíssimos filmes pra comentar, me sinto honrado de que um deles seja o meu:

“Em Clermont-Ferrand, Zigurate deixou alguns espectadores desconcertados, sua segurança e sua coerência o mantinham longe, apesar de seus excessos e de sua sobrecarga gráfica, de cair na vulgaridade. Faltou pouco porém, esse filme de ficção científica assume vinte minutos de um postulado visual extravagante, entre porno soft 80´s e um delírio mangaká fora de lugar.
Resultado: uma fábula marxista -não tão desconectada da realidade brasileira e de suas gritantes desigualdades- à base de esperma e merda…


De cara lembramos, superficialmente, de Metrópolis, sua sociedade dividida verticalmente. Existem essas torres imensas, essas coberturas ensolaradas sob o céu azul luminoso, onde pavoneiam casais bilionários, figurantes perfeitos de um universo enojante de cores saturadas e retocadas digitalmente. Lá embaixo, está a lama, literalmente: um magma salobre e marrom, a massa, os esquecidos.

No alto das torres, se bronzeiam, fodem, bebericam coquetéis. Gestos mecânicos, desencarnados, incessantemente repetidos, remetendo à superficialidade desses novos ricos que não têm nada além da própria ociosidade, a tranquila lascividade e o luxo como horizonte. Portanto, o inferno abaixo está lá, ameaça permanente cujos respingos poderiam rapidamente sujar esse Éden fabricado.

Esta oposição cromática posta, Zigurate se torna fascinante quando esses dois mundos se encontram e que um monstro de merda deslumbrado atinge o topo da torre para – depois de ter matado o homem- se unir à Heroína imaculada. Existe algo de um King Kong trash nestas sequências onde os fetiches e situações impostas do pornô (saltos agulha, felação, ejaculação facial) vêm, simbolicamente, borrar a relação de dominante/dominado. A fera é ameaçadora (entidade revolucionária?), mas quanto mais a Bela lhe dá prazer, mais a fera se enfraquece. Mais longe, um outro casal, uma outra torre: eles se bronzeiam, fodem, bebericam coquetéis. Seu imóvel se eleva enquanto sua vizinha azarada acaba por sumir no magma que sem dúvida, um dia, os absorverá também. Se envolver com a plebe, sugere o filme, expôe à queda de classe. Bem…

É plasticamente -mais que por sua sutileza- que esta obra impressiona por muito tempo. Resta depois disso dizer que Carlos Eduardo Nogueira pode ser um espertinho, que talvez tenhamos sido enganados, nada nos garante que seu próximo filme não será simplesmente idiota… A seguir…”

Desirella

Desirella é um filme meu de 2004, meu primeiro patrocínio.

É um filme que foi muito bem quisto aqui no Brasil, andou bastante e gosto dele muitíssimo. Coloquei uma primeira versão online no Vimeo. Porém, ao contrário de Zigurate, Desirella foi feito para resolução pequena, mesmo.

Espero que curtam

Desirella (Brasil, animation, 2004) from Carlos Eduardo Nogueira on Vimeo.

Zigurate finally in HD quality online (on Vimeo)

That´s right, I finally managed to get a decent compression quality. Now it´s 1280×720 (a little more than half the resolution of the 35mm print). The video can be seen on Vimeo ( http://vimeo.com/10363754) or right below. But if you want to watch it in HD, you need to go to Vimeo. Tell your friends if you like it.

Zigurate (Brasil, fiction, 2009) from Carlos Eduardo Nogueira on Vimeo.

Alunos na Veja

ESTREIA PROMISSORA Pós-graduados em computação gráfica 3D pelo Centro Universitário Senac, Alexandre Vieira e Bruna Bonadio trabalharam como animadores no curta-metragem Musa Divinorum, lançado no dia 11. O convite veio do professor Carlos Eduardo Nogueira, diretor do filme

Das seis pessoas da equipe 3D do Musa Divinorum, três foram alunos meus. O Fernando Gutierrez (que está em Brasília e vai dirigir um filme novo), o Alexandre e a Bruna (esse dois aí na foto). Estranhamente, a estréia de “Musa Divinorum” repercutiu na Veja numa matéria sobre cursos de pós-graduação. Como eles dois aí do lado foram alunos da pós de CG do Senac, acho que a Veja curtiu a coincidência de datas e foi lá entrevistá-los.

Poster Musa Divinorum

Este é o poster que fiz pra estréia do meu último filme, Musa Divinorum

Clara de Lua (esse nome vai mudar)

Feliz e contente. A fim de encarar o desafio. Sou um dos felizes ganhadores do último edital de curtas da prefeitura. O nome do projeto é oficialmente “Clara de Lua”, mas quase certamente esse nome vai mudar. Criei o nome pela semelhança estrutural que tinha com “Branca de Neve”, genérico nome de princesa. E também pela música do Debussy. Mas ele deve coroar o nome de outro projeto. Honremos esta oportunidade, esse dinheiro, essa confiança.

Hauteur de vue

“Zigurate nous décrit un monde de papier glacé, dont l’esthétique froide, géométrique et en même temps d’une sensualité exacerbée rappelle les icônes publicitaires des années 1980. Deux couples, dont les ébats lisses et léchés témoignent de la haute condition, forment un microcosme que vient “salir ” un monstre issu de leurs déchets. La rencontre des deux mondes sera fatale à l’un, et ne fera au bout du compte qu’élever de quelques métres la tour de Babel… ” Si l’idée de départ faisait pencher le court vers l’allégorie marxiste, le scénario est devenu plus complexe au fur et à mesure de la réalisation. “

Carlos Eduardo Nogueira, auteur brésilien de ce court diffusé en L5, préfére laisser à nos imaginations le soin d’interpréter les sens multiples que peuvent revétir ce tableau onirique et social. Mais il évoque le plaisir qu’il a pris à méler les techniques durant cette expérimentation : ” Je viens de l’animation, c’est la première fois que je travaille avec des acteurs et je compte développer ce travail mixte sur mes films à venir… “

François Doreau “

(tradução minha, agora com acentos)

Zigurate nos mostra um mundo de “Gloss Paper”, no qual a estética fria, geométrica e ao mesmo tempo de uma sensualidade exacerbada nos remete aos ícones publicitários dos anos 80. Dois casais, cujos movimentos suaves e estudados são um reflexo de sua condição social mais elevada, formam um microcosmo que acaba sendo sujado por um monstro saído de seus dejetos. O encontro desses dois mundos será fatal para um deles e acabará não fazendo nada além de elevar mais alguns metros a torre de Babel… “Se a idéia inicial fazia o curta pender em direção a uma alegoria marxista, o roteiro se tornou mais complexo à medida que ia sendo realizado. “

Carlos Eduardo Nogueira, autor brasileiro deste curta exibido na Labo 5, prefere deixar para nossa imaginação a interpretação dos múltiplos sentidos que revestem este quadro onírico e social. Mas ele evoca o prazer que teve ao misturar as técnicas durante esta experimentação: ” Eu venho da animação, é a primeira vez que trabalho com atores e espero poder desenvolver este tipo de trabalho misto em meus próximos filmes…”


Primeira crítica simpática sobre Zigurate

Quem quiser ler na fonte, aqui está: http://www.filmespolvo.com.br/site/eventos/cobertura/901

Pela segunda vez alguém comenta sobre a auto-ironia no meu trabalho, curioso.

Zigurate, de Carlos Eduardo Nogueira

Um filme absolutamente alienígena dentro de todo o atual panorama de curtas. Ao mesmo tempo em que poderia ser facilmente enquadrado dentro de uma proposta estética que remete a um cinema americano contemporâneo de grande manipulação visual, extraindo do filme qualquer índice de realidade – tendo como expoentes 300 e Sin City –, Zigurate expõe um conflito com seu próprio verniz absurdo a partir da auto-ironia que sua imagem produz. Trata-se de uma criação visual disparatada e extrema, reflexo de uma idéia de perfeição e fuga que regem determinada camada social mais elevada da sociedade, uma criação profundamente alegórica e ridicularizante, às vezes até mesmo preconceituosa, desse universo.

A imagem produz atração e repulsa, adota e assume seu próprio ridículo, cria momentos vários de comentários a partir de metáforas visuais e parece ao longo do filme se encaminhar para uma idéia de moral que se fecha mais ou menos claramente dentro desse comentário social radical. No entanto, à medida que o absurdo se acirra, o comentário moral se torna mais distante, mais intangível. Ele é agressivo, parece ofender, mas não se sabe exatamente como. Cativa justamente por ser tão estranho, tão distante de ser desvendado. Um absurdo visual, rico e podre, contradição coerente. Realmente bizarro.

*Visto na 13ª Mostra de Tiradentes

Musa Divinorum

Na quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010 (também conhecida como quinta-feira pré-Carnaval), faremos a primeira exibição do meu mais novo filme de animação, Musa Divinorum. Será no Espaço Unibanco Augusta, sala 4. Sim, aquela do outro lado da rua, que tem um espaço externo super lindo, com uma árvore e tals. Será às 21h30. O filme tem 16 minutos e é inspirado no nunca produzido longa-metragem “Hex” que eu e Ruggero escrevemos há anos.  É também o primeiro filme que faço com uma equipe de modeladores e animadores, dentro do Senac onde dou aula. Experiência interessante. Espero que possam estar presentes.

Ficha:

Musa Divinorum, cor, 16minutos, 2010

Direção e roteiro: Carlos Eduardo Nogueira

Música e efeitos sonoros: Ruggero Ruschioni

Equipe 3D: Fernando Gutierrez, Alexandre Vieira, Arthur Cavalcante, Bruna Bonadio, Helder Alves e Rafael Segóvia.

Narração: Maysa Lepique

Produção: Adriano Kakazu e Glauce Pena Santos